quinta-feira, setembro 2

feeling groovy

Olho pela janela do ônibus, olho para minha apostila de matemática e vejo que nada daquilo faz sentido, mas ainda assim sou obrigada a terminar o exercício que havia começado. ‘então cateto oposto sobre hipotenusa é cosseno . . ahh, ½ !’ penso concentrada no triangulo pitagórico.
De repende meus olhos percebem uma pessoa, alguém que não estava ali a dois minutos atrás. Noto que ele está bonito com a camisa dos Beatles e a sua calça rasgada, interessante pois não parece ser do tipo que usaria uma coisa dessas, mas até que ficou legal, sabe . . se você gosta do tipo alternativo, loirinho, gordinho. ‘Eu gosto’, concluo de imediato.
Sem aviso prévio percebo que ele está vindo sentar ao meu lado. ‘o que será que devo fazer?’ . . ‘meu deus, preciso terminar esse exercício logo, não quero parecer nerd estudando no ônibus’. Quando ele senta reparo que cheira bem, seus olhos são de um mel claro, quase que amarelo escuro, sua barba está por fazer e sua pele é tão macia quanto um bumbum de bebe. Olhando para a sua mão vejo bonitos dedos alongados, e caminhando pelo seu braço não deixo de notar no quanto ele é fino e bonito.
Ao me concentrar novamente no dever (com muita dificuldade, devo ressaltar) começo a sentir seus olhos em mim, quando de repente me viro e escuto ele falar “Geometria nunca foi meu forte”, após cantar essas palavras ele sorri, como se estivesse tímido, e nossa, ele tem o sorriso mais lindo que já vi. “Nem o meu” respondo e sorrio também, esperando que ele goste tanto do meu quanto eu gostei do dele.
Depois de longos e silenciosos minutos percebo que está chegando o meu ponto e que preciso descer, mas não quero. Não quero deixá-lo ali, para outra vir e conquistá-lo. Infelizmente não tenho escolha e me levanto em direção à porta.
Ao descer do ônibus sinto uma mão forte e firme me puxar, sinto-me então em seus braços e ouço ele sussurrar no meu ouvido enquanto estamos tão abraçados que parecemos um só: “Fulano, Prazer te conhecer”, sua voz é tão aveludada que sinto que vou desmoronar. “ Fulana, Encantada”, respondo sem nem pensar, afinal, a ultima coisa que eu conseguiria fazer nesse momento era pensar em algo.
Ficamos assim por alguns segundos, até que então ele vai se aproximando, se aproximando e acaba me dando um dos melhores beijos que já recebi em toda a minha vida. É tão sincero, emocionante e tão . . . diferente. Tudo é tão diferente, afinal, nem sequer sei o nome dele. Teoricamente isso deveria deixar as coisas ruins e confusas, mas só as deixam mais excitantes e excêntricas. Fazendo com que fuja da mesmice de sempre.
“Gostaria de caminhar?”, ele pega a minha mão e saímos andando, sem ao menos saber para onde vamos e não trocamos muitas palavras também, mas não se fez necessário.

7 comentários:

Carol disse...

Gostei muito! (:

Juliana Faria disse...

Será que o Fulano e a Fulana ficarão juntos por mais tempo?

Marina Morena disse...

Duvido muito . . estragaria a magia da coisa

Douglas Thaynã disse...

Já que citaste Beatles na comunidade, realmente, eles são foda! Obrigado por ler e seguir o Sangue e Solidão. E parabéns pelo blog, os textos são ótimos! :)

Recalcado disse...

engraçados; amores de ônibus são engraçados.

Calando a Boca disse...

Você realmente escreve bem! Os fatos ocorrem em ordem, muito BOM! Gostei de verdade. :D

Heloísa Lyra disse...

Passando aqui pra dizer que gostei do seu blog :)