sexta-feira, janeiro 8

Le petit Prince

Chego da escola e rapidamente jogo a mochila na cama, pego o meu livro, um sorvete e saio direto para a pracinha da frente. Como sempre, me sento embaixo da minha árvore e começo a folhear o livro até chegar à parte em que parei, mas antes mesmo que eu pudesse ler uma palavra ele entrou no meu campo de visão. Pude vê-lo se aproximando como quem não quer nada. Foi no momento em que ele se sentou ao meu lado que notei os seus olhos incrivelmente azuis que combinados com aquele cabelo loiro em formato de cachos e sua pele tão perfeita como o bumbum de um bebê.
E lá ficamos nós dois nos olhando, nos criticando mentalmente, por alguns longos minutos. Até que então ele parou seus olhos no meu livro e cantou as palavras:
- Os príncipes encantados de Libby Manson? Então você é uma daquelas?
Céus, ‘uma daquelas’? O que será que ele quis dizer com isso? Tenho até medo de perguntar, mas não consigo me conter e as palavras saem da minha boca antes que eu possa impedi-las.
- ‘Uma daquelas’?
-É, uma romântica.
-Como assim?
- Ah, você sabe. Uma daquelas garotinhas que está sempre lendo um livro ou vendo um filme, esperando que o que acontece com as personagens, aconteça com você também.
-Bem, certo. Então eu sou sim. Mas, isso é ruim?
-Não sei. Não sou um desses.
É nesse exato momento que o vejo levantar e estender a sua mão para mim. O que ele está fazendo? Esse menino é realmente maluco, mas fazer o que, é um gato. Pego a sua mão e me levando também.
- A propósito, meu nome é Michael.
-Ah, certo. Prazer, Sofia.
Começamos a andar pelo parque e conversar. Ele até que é engraçado, sabe, para alguém tão bonito. É o tipo de garoto que você olha e pensa: é o garanhão da escola, popular e sem nada na cabeça. Mas depois que o conhece percebe que era tudo um engano, um preconceito.
Naquela tarde ficamos ali na grama durante horas rindo, falando sobre os livros, filmes, escola e coisas normais. Às vezes não falávamos nada, só ficávamos nos olhando.
Após o pôr-do-sol ele me acompanhou até a minha casa, mas algo estava me deixando com medo, mas nessa altura do campeonato já tinha intimidade o suficiente com ele para tirar aquilo de mim, então perguntei com muita calma:
-Vamos nos ver de novo?
-Obviamente. –respondeu ele delicadamente, e em segundos já estávamos na minha porta, parados, ambos sem saber o que fazer.
Virei, abri a porta de fora e quando estava indo entrar ele puxou o meu braço e me beijou. Não foi um daqueles beijos de novela, foi somente um selinho. Nesse momento eu tive a sensação de estar me apaixonando. Mas fazer o que? Eu é que não iria evitar o que esperei a minha vida toda, ele que me freasse se quisesse.
Cheguei em casa toda feliz, minha mãe até estranhou. Durante o jantar perguntou se o livro que eu estava lendo era bom mesmo, pois estava toda sorridente. Falei que era ótimo e contei a história, embora hoje eu não tenha exatamente lido o livro, mas ela não precisava saber disso.
No dia seguinte quando chego a minha arvore ele já está lá, hoje ele me cumprimenta com um beijo e dessa vez é um daqueles de cinema. Ficamos lá mais uma tarde deitados, quero dizer, eu deitada no colo dele. Falamos de como foi os nossos dias, nos beijamos mais e jogamos muita conversa fora. Mas senti que algo estava estranho, ele estava emotivo demais. Mesmo que tivesse o conhecido ontem, parecia que nos conhecíamos há anos, e eu sabia que algo havia mudado. Quando um garoto arranca uma flor e te entrega é porque tem algo errado, pelo menos com a maioria de meninos é assim. E eu senti isso de imediato.
Obvio que as minhas suspeitas aumentaram quando chegamos a minha porta e ele me deu um beijo extraordinariamente perfeito e disse:
- Acho que te transformei em uma personagem, certo?
-Aham. – Assenti como uma idiota, porque era obviamente a única coisa que eu conseguia fazer depois de um beijo e uma frase dessas.
Entrei e passei a melhor noite de sono que já tive em toda a minha vida. E a pior manhã de todas, a ansiedade estava me matando. Queria vê-lo de novo, tocá-lo novamente e sentir aquelas mãos sobre a minha nuca.
Mas quando cheguei à árvore aquela tarde só havia uma carta, e no envelope tinha o meu nome escrito em uma letra notavelmente masculina.
Então abri nervosa e aquelas palavras serviram como uma flecha no meu coração. Era do Michael. Dizia:

“Querida Sôfi,
Primeiramente queria me desculpar por entrar na sua vida, mesmo sabendo que a faria sofrer, como sei que estou fazendo agora. Acalme-se, sei como é ansiosa. Não chore. Te explicarei tudo.
Meu pai foi chamado para trabalhar no sul da frança. Estava tudo certo e faltavam dois dias para a minha viagem. Aquilo estava me deixando louco então resolvi dar uma volta no parque. Quando te vi caminhando para aquela arvore, com o seu livro e todas as suas esperanças, percebi imediatamente que precisava te conhecer, mesmo que fosse por pouco tempo. E eu esta certo. Te conhecer foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Você me tornou em um ‘Daqueles’ e me orgulho disso.
Nascemos um para o outro, esse é o nosso livro. Não deixe que uma distância, e nem o tempo, tirem isso da gente.
Eu voltarei, um dia. Prometo.

Com carinho,
Do seu Michael.”


Recordo-me que depois de ler isso fui correndo para casa, tomei sorvete na minha cama a tarde toda. Minha mãe notou e foi até o meu quarto, contei tudo para ela. Chorei, chorei e chorei mais. Chorei até acabar dormindo no colo da minha mãe.
Uma noite dessas você supera, mas nunca esquece.

7 comentários:

Nathalia disse...

UUU, ele vai voltar, é óbvio, durd. Hahaha, eu gostei dessa bastante mesmo, suuuper fofa !

PS : Você está viciada em sorvete (na próxima história usa algodão-doce)

flavikaa disse...

aiiin ! que triiiste e ao mesmo tempo liindo ! amei!
:**

Luiz Carlos disse...

Nossa cara, o maluco brincou com os sentimentos da garota lá. Nem vai voltar.

Só pra constar que eu to acompanhando o blog, falous.

Marina Morena disse...

Ele não brincoooou !
ele se apaixonou à primeira vista, não conseguiu resistir!

Juliana Faria disse...

Ah, eu vou chorar...

Rodrigo disse...

eeessa foi triste ... =/
mas ele volta, tenho certeza. e ai vai roubar ela ... ahuahuah

João disse...

caaara, que texto perfeito!! amei!