sexta-feira, dezembro 18

Love at first sight

- Mãe, estou indo comprar sorvete! – gritou Fulana já fechando a porta e saindo rua a fora.
Fulana sempre gostou de sair para dar uma volta, comprar um sorvete e ver as pessoas, nesse dia nada de diferente havia acontecido. Ela tinha ido até a sua sorveteria predileta, que ficava somente a uns passos da sua casa, e havia pedido um sorvete de maracujá. Perto dela havia um casal que estava discutindo o nome do filho que estava por vir.
-Pedro Henrique. - disse a moça grávida.
-Estava pensando em Vicente – contestou o marido.
Era por isso que Fulana gostava tanto de ir àquele lugar. Estar ali era diferente de ver TV, ler livros ou ir assistir um filme. Aquilo era vida real, do tipo em que as pessoas têm problemas de verdade, não que se apaixonam por um vampiro irresistivelmente irreal ou tem um caso com um cara que foi picado por uma aranha.
- Você não pode estar falando sério. Mcfly é simplesmente demais! – Comentou uma menina poucas mesas de distancia de Fulana.
-Certo, não disse que são ruins. Disse apenas que são uma copia piorada dos Beatles. – Respondeu o menino sentado naquela mesma mesa.
Fulana se levantou e resolveu ir para o banco do lado de fora, para que pudesse ver o céu e os pássaros. Ao sentar-se notou que havia um menino na outra ponta do banco.
- É de maracujá?- Disse o menino quando percebeu que ela o havia notado.
-Sim, meu preferido. –Respondeu sem graça.
- Meu também. – Respondeu ele com delicadeza.
Foi então que, nesse exato momento, seus olhares se encontraram. De imediato Fulana pôde perceber que nunca o tinha visto antes. ‘será que ele mora por aqui?’, ‘o que ele faz na minha sorveteria?’, ‘ por que não consigo desviar os meus olhos?’ sua mente logo se encheu de perguntas. E, ao que parecia, a do menino também.
Toda essa aparente eternidade durou apenas alguns segundos, segundos esses que foram os mais encantadores que Fulana já tivera, mas que foram interrompidos pelo choro de um bebê que estava no colo de sua mãe, ambos no banco ao lado.
Com o susto que levou ao ser arrancado daquele universo que haviam criado, o menino se levanta e começa a ir embora. Passos depois ele vira, sorri e diz ‘tchau, menina do sorvete de maracujá‘. Inevitavelmente Fulana abre um sorriso e então que ela percebe que está na hora de voltar pra casa.
Após uma noite mal dormida e intermináveis horas na escola Fulana chega em casa e rapidamente se troca. Minutos depois já está lá ela sentada novamente naquele banco com o seu sorvete se perguntando se tudo aquilo não passou de um sonho e, no caso de não ter sido apenas coisa da sua cabeça, se ele vai aparecer e eles vão se transportar novamente para aquele mundo paralelo dos seus olhares.
Ele não aparece e acaba ficando tarde. Fulana volta para casa triste, mas ainda com esperanças, afinal, mesmo ela sendo muito criativa, ela não poderia ter inventado aquilo.
Mas na tarde que se segue ela não o vê novamente. E nem na outra, nem na outra e nem na outra.
Então em uma normal manhã Fulana faz o de sempre: toma banho, come algo, escova os dentes e sai para a escola. Mas aquele dia estava longe de ser normal e ela estava prestes a descobrir isso.
Preparada para atravessar a rua e pronta para encarar mais um dia na escola ela se vira e o vê. A princípio acha que está imaginando coisas, mas é verdade. É ele ali.
É nesse momento que ele se vira e a vê também. Ele a reconhece e sorri. Seus olhares se encontram novamente. Ele pega a mão de Fulana e os dois saem andando em direção à praia.
Sem sequer trocar uma palavra os dois ficam ali, deitados na areia, trocando olhares e risos. Era tudo que os dois precisavam, e eles encontraram.
Foi então que começaram a cair os pingos, o céu estava feliz por eles.

3 comentários:

flavikaa disse...

Que liiindoo ! Poxa,queria ir ali na sorveteria e encontrar o amor da minha vida,mas acho que isso nunca vai acontecer...hahahah
:/
e concordo que Mcfly é uma copia piorada dos Beatles 1!!
adoorei Mariina !
kisses

Pery disse...

Marina, vai escrever um livro ;)

Juliana Faria disse...

Ai que lindo! Sério, amei de verdade!
E.. cara. Mandou bem demais. Hahahha