quarta-feira, outubro 25

Paixão passageira

Quando eu te vi entrar foi instantâneo. Se você é adepto a teoria de que pessoas são atraídas pelas suas características biológicas a fim de desenvolver a prole mais saudável e com maior chance de sucesso, você vai entender o que eu disse. Seus feromônios tiveram um efeito instantâneo sobre mim. A sua barba ruiva e jeitinho desengonçado, típico de pessoas grandes, me conquistou. Você andou na minha direção, ficou na dúvida, mas sentou ao meu lado. Eu senti a terra parar de girar. Pronto, pra mim o mundo podia acabar, eu estava plena. Quando você tirou o seu livro, claramente um clássico, eu senti que não tinha jeito, eu estava apaixonada. Agora não tem mais volta. Conforme o meu ponto se aproximava eu ficava tentando, tentando muito, arranjar coragem para puxar um assunto. Não consegui, fui fraca. Foi breve, mas foi intenso. Possivelmente você nunca vai saber o que eu senti, mas para mim não tem problema. Na minha cabeça nós já estávamos casados e morando em uma quinta com os nossos 3 filhos, 4 cachorros, 2 gatos, um cabrito, um cavalo e inúmeros porquinhos e galinhas, por que eu estragaria isso tomando alguma atitude e dando a oportunidade de estragar tudo? Não, obrigada. Prefiro a minha fantasia. Nela seremos eternamente felizes e as coisas que eu senti irão durar para sempre. Incrível. Obrigada por ter feito o meu dia começar de forma tão maravilhosa. Esse sentimento de paixão é ótimo! Espero que dure o suficiente para me fazer acreditar que um dia as coisas de fato possam dar certo. Quem sabe elas já não deram e eu ainda não sei, né.


sábado, setembro 30

Clarice Lispector

"Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."

segunda-feira, setembro 25

Romantismo real

Já havíamos saído antes, mas daquela vez foi diferente. Alguma coisa aconteceu que fez tudo mudar. Nos conectamos, nossos planetas se alinharam. Você fez os movimentos certos, falou as palavras exatas que eu queria ouvir e me tocou como eu queria ser tocada. O modo como você me fez sentir, como se nada pudesse dar errado, como se o mundo fosse cor de rosa e houvesse uma magia no ar. Cada vez que você sorria eu sentia como se tivesse sido atropelada por um caminhão de sentimentos. Angustia, alegria, ansiedade, afeição, curiosidade, dengo, desejo, dilema, confusão, entusiasmo, esperança e paixão. Ah, a paixão! Certamente era um caminho sem volta. O problema é que foi só naquele momento. Aquele dia especial e que não voltaria mais. Nos encontros seguintes não foi igual, não havia aquela magia. Foi coisa da minha cabeça? eu superestimei aquela conexão? Difícil, mas também não importa mais. Aqueles sentimentos não voltam mais, pelo menos não como naquele dia. Você não era quem eu pensava ser ou eu imaginei um você que nunca existiu? O tempo passou e as respostas não vieram. A verdade é que elas nunca virão. Eu não me apaixonei por você, eu me apaixonei pelo que você me fez sentir, eu me apaixonei por um você que já não existe mais, um você que eu inventei.

sexta-feira, abril 8

Love story

Se você olhar nos olhos dela, verá que ela daria o mundo por ele. Se olhar nos olhos dele, verá que tudo que ele sempre procurou foi uma menina exatamente como ela. Eles passam os dias brincando nos parques, tomando sorvetes e fazendo todas aquelas outras coisas que amigos fazem. Mas passam as noites imaginando como seria divertido fazer também coisas que namorados fazem, como andar de mãos dadas, abraçar beijar e acariciar . Ambos tem seus diários que usam para expressar toda essa paixão que já não está mais cabendo no coração. Se conhecem a tanto tempo que já devem haver uns 7 diários.
Um dia, entre sorvetes, conversas sobre coisinhas de mulher e jogos de vídeo game, ela viu aquele caderno e se interessou. Ele ficou com medo e escondeu junto com os outros. Ela ficou mais intrigada ainda. Quando ele entrou no banho, ela começou a ler. Ele tentou ser rápido para evitar esse tipo de coisa. Ela foi mais ágil e leu logo a página com muitos corações em volta do nome dos dois. Ela estava feliz, porém paralisada. Ele saiu do banho e ficou nervoso ao ver a cena. Ela tirou um pequeno caderno da bolsa. Ele o abriu e viu uma página semelhante. Ele sorriu, Ela o beijou. Eles foram felizes para sempre.

segunda-feira, novembro 29

our last dance

P: Por favor, não vai embora. Você não pode fazer isso comigo.
H: Dê-me um motivo. E não venha com esse papinho do que eu posso ou não fazer.
P: Eu te quero como jamais quis alguém. Você não pode ignorar o fato de que também me quer só porque fiz algumas besteiras.
H: algumas besteiras? Você simplesmente ignorou quando eu disse que te amava, você agiu como se não se importasse. Quando eu precisei, você não estava lá.
P: tudo bem, eu sou idiota, admito. Você é boa demais para mim, eu sei disso. Mas preciso de você tanto quanto preciso de água ou sais minerais. EU sei que agi errado e prometo mudar. A questão é que sem você ao meu lado não tem porque o meu átrio esquerdo continuar bombeando sangue. Sem você, nada faz sentido.
H: tenho raiva do seu poder com as palavras. Mas não sei, não sei se posso ou se consigo te perdoar. Você sabe, as coisas foram acontecendo e quando me dei conta elas não eram mais como eu gostava, como costumavam ser. Acho que preciso pensar. Mas com você eu não consigo fazer isso, pois as dopaminas e serotoninas me impedem de fazer qualquer coisa.

E ntão Helena saiu andando e Paulo ficou olhando, pensando se um dia ela voltaria. Helena ficou pensando se um dia ele poderia mudar. E no final das contas, o amor não bastava. Nunca bastou.

quinta-feira, setembro 2

feeling groovy

Olho pela janela do ônibus, olho para minha apostila de matemática e vejo que nada daquilo faz sentido, mas ainda assim sou obrigada a terminar o exercício que havia começado. ‘então cateto oposto sobre hipotenusa é cosseno . . ahh, ½ !’ penso concentrada no triangulo pitagórico.
De repende meus olhos percebem uma pessoa, alguém que não estava ali a dois minutos atrás. Noto que ele está bonito com a camisa dos Beatles e a sua calça rasgada, interessante pois não parece ser do tipo que usaria uma coisa dessas, mas até que ficou legal, sabe . . se você gosta do tipo alternativo, loirinho, gordinho. ‘Eu gosto’, concluo de imediato.
Sem aviso prévio percebo que ele está vindo sentar ao meu lado. ‘o que será que devo fazer?’ . . ‘meu deus, preciso terminar esse exercício logo, não quero parecer nerd estudando no ônibus’. Quando ele senta reparo que cheira bem, seus olhos são de um mel claro, quase que amarelo escuro, sua barba está por fazer e sua pele é tão macia quanto um bumbum de bebe. Olhando para a sua mão vejo bonitos dedos alongados, e caminhando pelo seu braço não deixo de notar no quanto ele é fino e bonito.
Ao me concentrar novamente no dever (com muita dificuldade, devo ressaltar) começo a sentir seus olhos em mim, quando de repente me viro e escuto ele falar “Geometria nunca foi meu forte”, após cantar essas palavras ele sorri, como se estivesse tímido, e nossa, ele tem o sorriso mais lindo que já vi. “Nem o meu” respondo e sorrio também, esperando que ele goste tanto do meu quanto eu gostei do dele.
Depois de longos e silenciosos minutos percebo que está chegando o meu ponto e que preciso descer, mas não quero. Não quero deixá-lo ali, para outra vir e conquistá-lo. Infelizmente não tenho escolha e me levanto em direção à porta.
Ao descer do ônibus sinto uma mão forte e firme me puxar, sinto-me então em seus braços e ouço ele sussurrar no meu ouvido enquanto estamos tão abraçados que parecemos um só: “Fulano, Prazer te conhecer”, sua voz é tão aveludada que sinto que vou desmoronar. “ Fulana, Encantada”, respondo sem nem pensar, afinal, a ultima coisa que eu conseguiria fazer nesse momento era pensar em algo.
Ficamos assim por alguns segundos, até que então ele vai se aproximando, se aproximando e acaba me dando um dos melhores beijos que já recebi em toda a minha vida. É tão sincero, emocionante e tão . . . diferente. Tudo é tão diferente, afinal, nem sequer sei o nome dele. Teoricamente isso deveria deixar as coisas ruins e confusas, mas só as deixam mais excitantes e excêntricas. Fazendo com que fuja da mesmice de sempre.
“Gostaria de caminhar?”, ele pega a minha mão e saímos andando, sem ao menos saber para onde vamos e não trocamos muitas palavras também, mas não se fez necessário.

terça-feira, julho 27